Chuvinha deixa a trilha escorregadinha.
nada, só flores
Chuvinha deixa a trilha escorregadinha.
Inconcebível pode parecer mas secretamente namoro a idéia de ir acampar. Naturalmente poderão estranhar, eu também, mas a razã0 é um novo edredon de seda chinesa que encontrei num brechó de Juiz de Fora & uma mala de camelo que herdei do meu padrasto.
Motoristas de taxi com seus carros brancos deveriam ser mais pacíficos e dar exemplo, vezes, quase sempre atropelam os pedestres na faixa. Aqueles carrões de campo de carregar leiteira na fazenda aqui também são luxo, chique e choque. Motoboys bipe bipe bipe bipe bipe até a náusea mais os onibus sem manutenção e as puta que os pariu , que até na calçada eu tenho medo. Estacionamento do Shopping Bourbombom tem 8 andares. Na sexta feira, outro dia, fui ao Pompéia olhei prá lá e percebi que dentro dos 8 andares havia um tremendo engarrafamento vertical. A Paulista está absolutamente sem sinais de pedestres. O mais fraco tem preferência.
Atenção.
Troquei o rumo
toquei disco
guitarra
eletro
mantra
mas estes sons não me curam.
Pai João, deixa eu dançar?
Aquele som na vertical
que perfuma
mata a sede
e me conserta.
Um texto legal de Nina Horta na Folha de São Paulo esta semana. Gostei tanto que até mandei um email pra ela, claro que ela nem lembra quem eu sou mas fiz umas fotografias lindas para textos seus na revista Sabor da editora D’avila na década passada, milhões de anos . Aqui ó:
As Casa Populares
Sempre que alguma música, quadro, livro me surpreende muito, fico rindo que nem boba, feliz. Pois fui à exposição e ao relançamento do livro de Anna Mariani, “Pinturas e Platibandas”, da editora IMS, e fiquei disfarçando, com a tal vontade de rir. Eu já ouvira falar muito nas casas da Mariani, mas, nas vezes em que as vi em jornais e revistas, me pareceram pinturas. Já viram essas fotos?
São umas casas populares, em regiões bem pobres do Brasil, no Nordeste, no sertão, perto ou longe do mar, não importa, são casas “sem eira nem beira”, a fachada é como um muro de taipa pintada de cal colorida, a porta e uma janela ou duas, de madeira. E a platibanda que esconde as telhas.
É desse módulo que se desenvolve toda uma dança de diferenças. A começar com as cores. Cor-de-rosa, muito rosa, verde escandaloso, azuis, brancas inteiras como noivas, lilazes, ocre, amarelo manga.
Vamos e venhamos, sem o telhado à vista a casa não se enfeita, é uma parede. O que não foi problema para os pedreiros, pintores e moradores. Coloriram tudo, e por que não uma decoração, uma firula aqui, outra acolá, afinal cada casa é uma, não é a outra.
Quem seriam esses pedreiros pintores? De onde tiraram essa arte de ornamento tão especial e criativa? Estamos no Nordeste, as casas são pequenas, populares, o que significam esses adornos? De que pedreiros saíram? Um toque de Chrysler Building na fachada, espirais de Vitrúvio na platibanda branca, festões azul-marinho entre as janelas. Pedreiro lembra maçom, “arts and crafts”, símbolos, selos das cartas, bandeiras esticadas, fotos nos jornais de antanho. Art déco. Lampião lia jornais para saber o mundo com chapéu enfeitado de estrelas.
Desenhos geométricos, quadrados, triângulos, cruzes, o Sol, modernistas de Pernambuco, de Goiás, de Miami. A acácia, deltas, as réguas e compassos, coroas, treliças, estrelas de cinco pontas, pedras ingênuas desenhadas, cristãos, mouros e judeus amarrados com graça, despojamento e equilíbrio.
No primeiro momento achei que num minuto eu saberia dizer quem morava dentro delas, como eram os trastes de couro, as vassouras, as cuias, o chão muito limpo, as panelas areadas, a bilha fresca, a corrida atrás da única franga pilhada em flagrante. Achei que poderia ouvir o barulho das crianças, o pigarro do homem com seu cigarro de palha, a cantiga da mulher cozinhando. Claro que o assunto caberia numa coluna de comida, pois são casas, são focolares, são fogões.
Mas, acreditem, as casas não conversaram comigo de dentro para fora. Nada. Fui incapaz de adivinhar o doce de espécie, a piaba, o cheiro de chuva, de sol a pino (um pouco), de roupa batida na tina. As fotos guardaram a intimidade das pessoas. Afinal, não é essa a vocação das casas em contraste com a rua? Guardam. Fachadas cuja alegria nos desarma.
Duvido que as pinturas sirvam como máscaras para disfarçar a tristeza de um povo desinfeliz. Quem pinta a fachada de azul pavão com listras vermelhas não está escondendo a chatice do viver. Nem vem. São bonitezas da alma. São sonhos fritos com canela e açúcar.
O que vale a imaginação com um pouco de cal e pó de tinta. Os construtores das casas de Anna Mariani, além de entrarem no túnel do tempo, deram uma boa volta ao mundo antes de sentar praça no sertão. Sou pobre, mas sou feliz, é mais pobre quem me diz. Eis a questão.
De tanto pensar na invasão vicking dessa advogada no meu fiorde cheguei a seguinte conclusão, vou fingir que acredito.
Anya foi vista nua, nadando no mar do norte. De dia, comeu salmão sem pele no restaurante francês e de noite comeu pele sem salmão no japonês.
Muitos dias e quilometros se passaram depois dessas coisas aqui. Cadeiras de plástico Blues.
Salvador é Brasil e São Paulo é Brasil e todos são brasileiros e falam a mesma lîngua sim.
Em São Paulo vai morar num trailer.
Vai vendo.
Saint kilda, muitas saudades. Andei mordendo ele de novo e agora estou com febre. Sai de lá as 4:30 da manhã, a festa foi na fabrica de cortinas em Westgarth e R tocou discos. A lua apareceu com ele, oh lagarto! Veio dizer byebyebye e valeu e muito amor até a metade do caminho, Fitzroy. A lua nova, laranja se enterrando de sono. Foi pra Adelaide encontrar o pai.